BOLETIM APPT 23 DE MAIO #COVID19

BOLETIM APPT 23 DE MAIO #COVID19

Boletim da Associação Paranaense de Pneumologia e Tisiologia APPT sobre a #COVID19 (23 de maio 2020)

Este boletim da APPT – Associação Paranaense de Pneumologia e Tisiologia –  tem por objetivo apresentar um roteiro para que a “navegação da pandemia de COVID-19” no Paraná e no Brasil transcorra de maneira segura através da formulação de sugestões específicas em estratégias de saúde pública à medida que consigamos limitar a disseminação do novo coronavírus e moldada à dinâmica da pandemia. Desta forma contribuímos com a proposição de medidas, uso de ferramentas e de abordagens para mitigar e se possível evitar uma maior disseminação da doença.

Desde fevereiro de 2020, a APPT tem sido enfática e incansável em gerar informação baseada em evidências científicas sobre a necessidade de proteção da saúde pública, assim como protocolarmente temos nos posicionado sempre em defesa da proteção dos colegas profissionais de saúde que estão na frente de atendimento.

Neste contexto, em face das últimas publicações na literatura médica, diante dos últimos acontecimentos e da veloz dinâmica desta pandemia ocasionada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 no mundo, no Brasil, na Região Sul e no estado do Paraná, a APPT vem por meio desta edição de 23 de maio de 2020 abordar algumas questões que requerem atenção e sobretudo ação imediata:

A primeira destas questões que vem à tona está associada a:

I. Necessidade de manutenção da continuidade à proteção da saúde pública e, por conseguinte, envolve a obrigatoriedade de dispormos de uma maior oferta de testes diagnósticos, mecanismos e ferramentas como por exemplo aplicativos (apps) de rastreamento dos possíveis contatos com os casos suspeitos de COVID-19 e que tem sido usado com sucesso em países como a Coréia do Sul, Japão e Cingapura. Apesar das dificuldades na aquisição de testes, não apenas em ampla escala quantitativa mas também em padrões de qualidade confiáveis, esta medida é imprescindível a fim de que possamos conter significativa e eficazmente a disseminação do SARS-CoV-2. 1,2

Mas é preciso deixar claro que isso não significa que precisamos rastrear todo mundo o tempo todo. A APPT advoga o rastreio para aqueles que são sintomáticos ou expostos à doença ou para pessoas que trabalham em profissões ou vivem em comunidades onde há uma maior chance de disseminação – para estas, precisamos garantir que os testes estejam disponíveis.3,4 Logo, é importante  dispor de tecnologias e serviços que possam ser usados ​​para esse tipo de triagem nos locais de trabalho. Essas plataformas que vão desde o uso de termômetros digitais a testes sorológicos encontram-se disponíveis e recomendamos que os empregadores implementem o rastreio de maneira segura e eficaz aos seus colaboradores.

Manter as pessoas seguras exige o acesso especialmente aos testes. Precisamos apoiar iniciativas que garantam que as pessoas que atuem ou morem em lugares que as coloquem em maior risco tenham acesso a essas oportunidades.

II.  A segunda questão envolve o trinômio que engloba a saúde pública, a economia e por último a saúde mental da população em geral e em particular a dos profissionais de saúde.

Ø  Saúde Pública & Economia

 

Fig 1 – Cidades vs. percentagem da população com imunidade ao SARS-CoV-2 5

Infelizmente ainda estamos longe da chamada “imunidade de rebanho” (termo associado ao atingimento da meta de ao menos 60% da população com imunidade ao agente infeccioso, que no caso da COVID-19 é o SARS-CoV-2), mesmo nas cidades mais atingidas nesta pandemia (Figura 1).5

Até o desenvolvimento de uma vacina para a COVID-19, teremos que confiar em absoluto nas medidas de prevenção além de distanciamento físico, higiene, uso correto de máscaras faciais e face shields (protetores faciais) pela comunidade e rastreamento de contatos.

Todos precisam ter em mente que nós enfrentaremos um risco persistente talvez até recebermos uma vacina ou até mesmo depois.

A APPT neste momento defende que esse risco pode ser gerenciado e reduzido, se nos concentrarmos em proteger e monitorar aqueles com maior ameaça de contraírem a COVID-19: idosos, portadores de doenças cardiovasculares, pneumopatas crônicos como os portadores de DPOC, popularmente conhecida como enfisema pulmonar, asmáticos, portadores de doenças fibrosantes pulmonares como fibrose cística, fibrose pulmonar idiopática, esclerose sistêmica com comprometimento intersticial, etc; os diabéticos e hipertensos, além dos moradores de asilos, albergues, presidiários e os profissionais de saúde.

No contexto de testes incluímos por exemplo máquinas como a ”Abbott ID NOW “ que está sendo usada pelos Estados Unidos neste momento e que é capaz de fornecer resultados em 5 a 13 minutos. Outros exemplos promissores são os testes rápidos da Quidel que receberam autorização de uso emergencial da FDA e o teste desenvolvido pela Startup do Hospital Albert Einstein em São Paulo que garante precisão igual ao RT-PCR.

Ø  Extensão do uso de protetores faciais para a comunidade como meio de proteção/ mitigação da COVID-19

Ø  Protetores faciais

Baseado em evidências da literatura, recentemente abordamos a necessidade do uso de máscaras faciais caseiras mediante combinações de dados de contenção e estratégias de mitigação da pandemia visando a ampliação da proteção da saúde pública.6 Utilizando este mesmo racional aliado ao reconhecimento de que ainda estamos muito aquém da capacidade de rastreamento adequada no Brasil e em pararelo respaldado pela Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA) que icluiu o uso comunitário/social de equipamentos de proteção individuais (EPIs) em suas recomendações, a APPT vem por meio deste boletim recomendar oficialmente a incorporação do uso em conjunto de máscaras faciais associado ao uso de protetores faciais afim de mitigar uma maior disseminação da COVID-19 no Estado do Paraná e sugerir a sua adoção pelos demais estados da federação como parte do processo de reabertura gradual da Sociedade e por conseguinte da Economia.

O Racional para esta recomendação oficial da APPT  é norteado:

A)     Através da relação custo-benefício de que os protetores ou escudos faciais oferecem inúmeras vantagens. Enquanto máscaras caseiras e as máscaras médicas possuem durabilidade limitada e pouco potencial de reprocessamento, os protetores faciais podem ser reutilizados indefinidamente e são facilmente higienizados através de lavagem com água e sabão ou detergentes de uso doméstico. 7

B)      Pelo atingimento do objetivo implícito do uso dos protetores faciais isoladamente ou em combinação com outras intervenções (ex. máscaras caseiras, etc.) é interromper/mitigar a transmissão viral reduzindo o R0 (valor do número médio de contágios causados por cada pessoa infectada) para menos de 1.7  De tal sorte que defendemos a imediata adoção por parte das autoridades sanitárias constituídas desta intervenção prática afim de minorar os impactos e  as conseqüências econômicas e sobretudo em saúde pública por reduzir a transmissibilidade do SARS-CoV-2 e por conseguinte da COVID-19 a níveis gerenciáveis.

 III.  Saúde Mental

Estudos realizados após eventos causadores de grandes agravos à saúde como pandemias, desastres naturais, atentados e ameaças em massa são consistentes em demonstrar o grande impacto em problemas de saúde mental imediatos e tardios em nível populacional. 8-11

A APPT alerta para a possibilidade do surgimento na população em geral de sintomas ansiosos-depressivos, relacionados à abstinência do sono, momentos de frustração, de raiva, de medo, de negação e de estresse que podem se tornar frequentes sobretudo frente à situação que estamos vivenciando de calamidade pública global. Para os profissionais de saúde podem surgir dificuldades em lidar com pacientes contaminados e ansiosos, pacientes com demandas de saúde mental, o que requer treinamento para prover o suporte psicológico e emocional  necessários para atender a estas novas demandas.

A compreensão sobre este tema levou a APPT a pesquisar sobre o surgimento de iniciativas locais e nacionais de atendimento voluntário remoto para profissionais de saúde e para a população em geral no sentido de atender a estas demandas via por exemplo projetos de teleatendimento que recomendamos abaixo:

“Cuidando de quem cuida”- SESA Paraná (Profissionais de Saúde). Via Telefone: 0800-645-5558

Teleatendimentos via Web sites ( internet):

Serviço de Psiquiatria do Hospital São Lucas- PUCRS: Projeto Conta Comigo: EstamosJuntos!

Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA). PROJETO ATENDIMENTO SOLIDÁRIO

 

IV.   Recomendações permanentes em relação a COVID-19

Ø  É de extrema importância que TODOS pratiquem as medidas de prevenção contra a disseminação do novo coronavírus tendo em vista não haver tratamento tampouco vacina disponíveis.

Ø  Mantenham o distanciamento físico de ao menos 2 metros. Ao tossir não utilize as mãos. Use o seu antebraço ou lenço descartável. Lave as mãos frequentemente com água e sabão e principalmente antes de ingerir qualquer alimento. Na impossibilidade de lavar as mãos use álcool em gel 70%

Ø  Os ambientes precisam estar sempre bem ventilados e procure evitar aglomerações.

 Ø  Em caso de sintomas gripais como coriza, espirros, tosse e/ou febre procure inicialmente a unidade de saúde ou ligue imediatamente para o seu Médico de confiança ou para o seu (sua) Pneumologista;

Ø  Em caso de dúvidas ligue para 0800 644 4414 (SUS Paraná).

Ø  Caso apresente falta de ar ou cansaço procure IMEDIATAMENTE uma Unidade de Saúde ou Hospital mais próximo.

Ø   Atente para a campanha de imunização Nacional da vacina da gripe 2020 e para as vacinas regulares de crianças (por exemplo sarampo) e de adultos conforme recomendação do Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde do Brasil. 12

 

Referências:

1.        Wong JEL, Leo YS, Tan CC. COVID-19 in Singapore—current experience: critical global issues that require attention and action. JAMA. 2020;323 (13):1243-1244. doi:10.1001/jama.2020.2467

2.         Park S, Choi GJ, Ko H. Information technology–based tracing strategy in response to COVID-19 in South Korea—privacy controversies. JAMA. Publicado online. doi:10.1001/jama.2020.6602.

3.        Gottlieb S, McClellan M, Silvis L, Rivers C, Watson C. National coronavirus response: a road map to reopening. American Enterprise Institute. Disponível em: https://www.aei.org/research-products/report/national-coronavirus Acessado em 22 de Maio de 2020;

4.        Coronavirus testing, tracing, and targeted containment: Steps to reopen the country. Disponível em: https://www.aei.org/wp-content/uploads/2020/05/Dr-Scott-Gottlieb-coronavirus-testing-tracing-targeted-containment-testimony.pdf Acessado em 23 de maio de 2020.

5.        The American Enterprise Institute. Disponível em: https://www.aei.org/ Acessado em 23/05/20 20.

6.        Infectious Diseases Society of America. Policy and public health recommendations for easing COVID-19 distancing restrictions. Disponível em: https://www.idsociety.org/contentassets/9ba35522e0964d51a47ae3b22e59fb47/idsarecommendations-for-reducing-covid-19-distancing_16apr2020_final-.pdf

7.        Perencevich, E. N., Diekema, D. J., & Edmond, M. B. Moving Personal Protective Equipment Into the Community: Face Shields and Containment of COVID-19. JAMA 2020. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2765525 Acessado em 23 de maio de 2020.

8.        Espinola, M. et al. Fear-related behaviors in situations of mass threat. Disaster Health 3, 102–111 (2016).

9.         Gargano, L. M., Locke, S., Li, J. & Farfel, M. R. Behavior problems in adolescence and subsequent mental health in early adulthood: results from the World Trade Center Health Registry Cohort. Pediatr. Res. 84, 205–209 (2018).

10.      Peng, E. Y.-C. et al. Population-based post-crisis psychological distress: an example from the SARS outbreak in Taiwan. J. Formos. Med. Assoc. Taiwan Yi Zhi 109, 524–532 (2010).

11.      Jacobson, M. H., Norman, C., Sadler, P., Petrsoric, L. J. & Brackbill, R. M. Characterizing Mental Health Treatment Utilization among Individuals Exposed to the 2001 World Trade Center Terrorist Attacks 14-15 Years Post-Disaster. Int. J. Environ. Res. Public. Health 16, (2019).

12.      Ministério da Saúde do Brasil: COVID-19/ coronavirus/ Últimas Notícias. Disponível em: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46567-comeca-segunda-feira-vacinacao-contra-gripe Acessado em 08/04/2020.

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